
Quando eu era mais jovem não gostava de assistir biografias, achava um tédio porque os diretores tem uma mania tosca de endeusar o biografado, deixar a pessoa perfeitinha aos olhos dos espectadores. E na minha cabeça, ninguém é perfeito.A história da Coco Channel, interpretada pela magnífica Audrey Tautau, não é muito diferente das outras biografias, mas apesar disso consegui ver uma pessoa de verdade, errando, acertando, teimando, morrendo, renascendo, amando, odiando, cantando, sorrindo, chorando, vencendo, perdendo, de maneira bem contida... Ela teve uma história de vida riquíssima, prato cheio para qualquer diretor. Viveu uma infância pobre no século XX, e emergiu através do próprio trabalho, atitude corajosa numa época de submissão das mulheres aos homens. A diretora, Anne Fontaine optou pelo lado romântico da Coco, deixou de lado a questão mais polêmica da vida da estilista, a colaboração com nazistas, na segunda guerra. Uma pena, pois esse fato poderia ter enriquecido ainda mais a obra. A criadora do pretinho básico apareceu no filme como heroína, mas se a grande questão era homenagear essa grande mulher, o filme consegue, consegue mostrar o porque de até hoje ela ter seu nome respeitado e suas criações tão conceituadas, serem imortalizadas através de uma marca que leva seu nome.
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